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Opiniões FBTS


José Paulo Silveira

Conselheiro FBTS

O prolongamento da atual crise da economia brasileira está ameaçando grandes conquistas do desenvolvimento tecnológico de nosso país.

No caso particular da tecnologia da Soldagem, é muito elevado o número de desempregados entre profissionais treinados e certificados. Estamos perdendo capacitação técnica. Hoje são cerca de 3.500 inspetores de solda qualificados e certificados que, sem dúvida, representam um “ativo” estratégico importante da indústria e do setor de serviços de construção pesada brasileiros.

O problema deveria merecer a atenção das autoridades responsáveis pelo desenvolvimento industrial e tecnológico, contudo, neste momento, como sabemos, estão dedicadas a outras questões.

Uma pergunta que ouvimos com frequência: o que a FBTS está fazendo pelos inspetores de soldagem certificados?

Obviamente não podemos gerar empregos, mas algumas medidas que estão ao nosso alcance, podem mitigar os efeitos perversos do desemprego. Passo a comentar duas delas.

A primeira delas é de efeito imediato. Estamos, com a devida autorização do Conselho de Qualificação e Certificação, abrandando, em caráter provisório, o requisito de demonstração de que o inspetor está exercendo a atividade para qual foi certificado, para fins da manutenção de sua certificação. Em contrapartida, o profissional terá que realizar um esforço pessoal de melhoria de seus conhecimentos técnicos.

Como funcionará? A FBTS enviará ao profissional um roteiro de autoavaliação após a realização teórica por meio eletrônico da Avaliação da Manutenção de Conhecimento Técnicos em Inspeção de Soldagem que abrangerá os seguintes temas: visual de ajuste, acompanhamento de soldagem, visual de soldagem e utilização de documentação técnica de soldagem (Relação de Soldadores e IEIS) desta forma, o resultado será um “feedback” para que o profissional se prepare para o exame de recertificação dentro da nova metodologia disponibilizada no nosso site.

Em síntese, compensaremos o abrandamento do requisito por um esforço pessoal de fortalecimento da competência técnica do profissional certificado.

A segunda medida é de efeito mais estruturante, cuja eficácia se manifestará em médio prazo. Estamos estudando um modo de transformar a certificação de pessoal em fator de empregabilidade dos profissionais certificados. Para tanto, deveremos ampliar a certificação para um número maior de funções. Acrescentar as funções de encarregado e de supervisor de soldagem. Assim, seria possível um encadeamento de funções certificadas, de modo a oferecer aos profissionais a oportunidade de planejamento de suas carreiras. Por exemplo, iniciar como Inspetor N1, evoluir para Supervisor de Soldagem, em seguida para Inspetor N2 e, a depender de sua educação formal, alcançar o Engenheiro Especialista em Soldagem. Várias trajetórias seriam possíveis, e todas elas resultariam em competências polivalentes. Ou seja, de maior probabilidade de conquistar postos de trabalho de melhor qualidade e de remuneração superior.

A indústria está em transformação, impulsionada pela digitalização em larga escala de processos e equipamentos produtivos. Os novos ambientes de trabalho irão exigir qualificação técnica muito mais alta e, sobretudo, a polivalência, em virtude da fusão de profissões tradicionais. Ou seja, independentemente da crise econômica e do desemprego atuais, temos que repensar nossas estratégias de certificação. Vamos aproveitar a crise para empreender mudanças necessárias que nos preparam para um futuro que está chegando.

José Paulo Silveira – Conselheiro FBTS – 20/06/2017





 

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